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Cartas Coreanas – Gravidez (cont.)

Muita gente deixou comentários no post anterior sobre alguns costumes no Brasil. São coisas que a gente nunca pára prá pensar, e que tem uma carga cultural tão grande que não nos damos conta da riqueza histórica que essas pequenas “crendices” têm. Tudo isso vale uma pesquisa mais a fundo!

E a lista dos costumes coreanos continua:

  • Após o nascimento, o bebê fica com a mãe o tempo todo, mesmo quando dormindo. Durante este período, só é permitido à mãe comidas e bebidas quentes (também durante o verão), já que a mulher é considerada “fria”. Uma sopa muito comum é a miyuk guk, uma espécie de sopa de algas marinhas, a qual possui a propriedade de limpar as toxinas geradas pelo processo do parto e tem que ser tomada pela mãe durante as primeiras quatro semanas após o nascimento do bebê.
  • Somente aos parentes próximos são permitidas visitas ao recém-nascido por pelo menos 100 dias após o nascimento. Historicamente isto tem sido feito porque a mortalidade infantil dos bebês coreanos era muito alta. Após os 100 dias é feita uma grande festa chamada baek-il. Tradicionamente, os pais e os familiares oravam aos Samsin (três deuses) por riqueza, saúde, sorte e longevidade. Após, uma celebração era feita com pratos especiais. Hoje em dia, a festa se resume somente à comida…
  • É muito comum os pais massagearem as pernas do bebê para que ele cresça mais e seja um adulto alto.
  • Mais recentemente, os pais começaram a massagear as pálpebras do bebê durante o sono para que ele possa ter as dobras que os ocidentais têm.
  • Enquanto os bebês são pequenos, os coreanos embrulham-nos em várias camadas de roupas e cobertores, mesmo durante o verão. A crença é que os bebês sempre sentem frio, independente da estação do ano.
  • Os pais coreanos adoram carregar seus filhos nas costas. O “carregador” favorito é o podegi, uma espécie de cobertor longo com tiras largas que amarram o pai ou mãe ao bebê, fazendo com que a criança fique segura o tempo todo nas costas, e os pais com movimentos livres.
  • Escolher o nome do bebê pode acontecer a qualquer momento do trabalho de parto ou após o nascimento. A maioria das famílias escolhem um primeiro nome, seguido do sobrenome da família, sendo que não é comum dar ao bebê um nome que já foi usado em qualquer geração passada. A maioria dos primeiros nomes são formados por caracteres que trazem algo da natureza ou do ambiente, uma característica da criança ou ainda algum tipo de significado místico. Cada nome consiste em somente dois caracteres coreanos.
  • A maioria das famílias coreanas escolhem para o bebê um nome com os dois caracteres coreanos e também um apelido. O apelido é usado por membros das família, e o nome tradicional é usado fora do círculo familiar.
  • Uma outra festa era feita no primeiro aniversário para celebrar a sobrevivência da criança durante o pior ano – o primeiro. Como a taxa de mortalidade dos bebês era muito alta, completar o primeiro ano era o marco do potencial de sobrevivência da criança. Então, acontecia a festa chamada Tol: mais comida, mais orações ao deuses, presentes e o tão famoso “teste de carreira para bebês”. Esse teste era – e ainda é – muito especial porque distingue a futura carreira da criança. O bebê senta junto à mesa, e à sua frente há uma série de coisas, como uma arma, um lápis e papel, dinheiro, arroz, etc. Cada item corresponde a uma carreira. Aquilo que o bebê pegar será a escolha da sua carreira no futuro. 

Acho que não vou conseguir fugir da sopa de algas… Ai…

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Eu apóio!

Parto do Principio

Para conhecer o trabalho delas, clique aqui!

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Ele voltou!

É só passar por e saber o que está acontecendo!

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Protagonista

Uma das perguntas mais frequentes que recebo é: E aí, você vai querer parto normal ou cesariana? Às vezes é uma afirmação seguida de um PELOAMORDEDEUSCONFIRMAOQUEEUDISSE: Você VAI fazer cesariana, não vai? É ÓBVIO que essa pergunta só vem de brasileiras, porque qualquer outro povo de qualquer outro lugar do mundo foge da cesariana como o vampiro foge do alho e da cruz. Quando respondo: Parto normal, é lógico!, a maioria faz cara de terror ou já começa a desfiar o rosário porque a prima da tia da empregada da vizinha ficou HORAS sofrendo em trabalho de parto! Aí eu pergunto: Quantas horas? e a resposta vem: Nossa, DUAS HORAS! É nesse momento que eu caio no chão e começo a rolar… DE RIR!

Conheço poucas que passaram por todas as fases do parto em duas horas! Só mesmo tendo uma valvulinha hidráulica prá abrir o colo do útero e um reservatório interno de vaselina prá cuspir o rebento na hora do puuuuuuuuuuuuuxa! Quero dizer, empuuuuuuuuuuuuuurra! Ou seja lá que raios se faz na hora!

Sempre fui contra a cesariana indiscriminada. Essa coisa de marcar o dia prá nascer, se vai ser de manhã, se vai ser à tarde, no dia de Cosme e Damião, sempre achei um absurdo. Além de desafiar a natureza – afinal de contas, o corpo e o bebê SABEM quando chegou a hora – a cesariana indiscriminada corrobora com médicos acomodados que descobriram na Obstetrícia o sonho de não acordar de madrugada, perder os finais de semana e as suas consultas pré-agendadas. Alguém um dia disse que parto normal dói. Aí ferrou. Como se o parto fosse a única dor que existisse na face da Terra. O medo se disseminou de uma tal forma de que a dor do parto é associada com sofrimento. E dor e sofrimento são coisas tão distintas…

Que fique bem claro: a cesariana é um baita avanço na Medicina, e casos críticos e que envolvem riscos não têm outra alternativa. MAS É UMA CIRURGIA, COMO QUALQUER OUTRA. Envolve riscos e cuidados pré e pós-operatório. E a cesariana indiscriminada gera um problema social e de saúde pública. Alguém já pensou que uma cesariana indiscriminada está ocupando uma sala de cirurgia que poderia ser usada para salvar a vida de alguém que realmente precisa de uma cirurgia, seja porque está doente, foi atropelado ou levou um tiro no meio de um assalto? Que os gastos com material cirúrgico, mão-de-obra e diária de quartos são astronômicos? Que aquele quarto que uma parturiente está usando por três dias poderia ser usado por alguém que precisa de cuidados? E que a incidência de mortalidade com bebês é extremamente alta em uma cesariana, porque muitas vezes o bebê nasce antes do tempo, enquanto no parto normal a mortalidade é quase inexistente?

Fiquei feliz em ler um dia desses que a coisa no Brasil começou a mudar. São milhões de reais indo ralo abaixo com cesarianas desnecessárias e UTIs neo-natais. Milhões de reais que poderiam ser gastos na Saúde Pública, colocando mais leitos à disposição da população. A mulher que opta pelo parto normal terá direito a quarto específico, com leito, banheiro e ambiente preparado para o pré e pós-parto. Agora é lei, e parto normal não vai mais para o Centro Cirúrgico! Todas as maternidades do Brasil já estão fazendo isso, e acredito que muita coisa começa a mudar a partir de agora. A mudança vai ser a passo de tartaruga, e que os nossos obstetras brasileiros consigam ver um pouco além de seus umbigos e narizes.

E eu, tenho medo da dor do parto? Não, honestamente não. Sei que nós mulheres fomos feitas prá isso, e os benefícios para os bebês são inúmeros e conhecidos. Vai ser bom prá mim e pro Tiquinho de Gente que chegará. E acho também que o parto fecha o ciclo da gestação, e abre o ciclo da nova vida. Todos nós somos protagonistas da própria vida. Ser protagonista é ser o ator principal, ser aquele que tem as rédeas e faz acontecer. E agonista vem de angústia, do latim angustus, que significa apertado, estreito, difícil. Nascer é passar pelo angustus – literalmente o canal vaginal – e assim registrar a primeira grande protagonização da vida: ser alguém.

Voltando às dores: existem dores na vida da gente que não passam nunca. Dores que doem pro resto da vida. Quem carrega essa dor sabe do que eu estou falando. A dor do parto acaba, e é uma dor que traz vida e alegria. Essa eu posso protagonizar. As outras, não. E como doem…

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Big Brother Hormonal

Querem saber o que a Gonadotrofina Coriônica Humana pode fazer em uma mulher? Clique aqui e acompanhe (quase que) diariamente a saga de uma gestante na Coréia!

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Eu prometi que voltava logo, mas meu logo não foi tão logo assim… Talvez porque a gravidez tenha trazido uma outra conotação para o tempo. Não, nada disso. Estou terminando de arrumar a casa (casa = eu mesma), depois de dois grandes e diferentes rumos que dei para a minha vida.

O primeiro deles, vocês já sabem. Estou grávidíssima, 16 semaninhas! A vida parece que voltou ao normal, depois de 10 semanas de agonia. Por 10 semanas, abracei a porcelana do banheiro todos os dias. Fora a sensação de viver dentro de uma máquina de lavar roupas que só funciona no ciclo da centrifugação. E fora TODOS os outros sintomas que todos os livros relacionavam como normais no primeiro trimestre de gestação. Não conseguia cozinhar, não conseguia comer, mal conseguia abrir a geladeira. Meu corpo passou fome e sede, mesmo sem sentir. Ainda bem que a natureza é sábia, e o Pequeno Ser se alimentou do meu corpo por todo o trimestre. Nunca a relação parasita-hospedeiro ficou tão clara para mim!

O segundo deles: decidi parar de trabalhar por aqui. Tirei a licença não remunerada a qual tinha direito, e descabelei. Muita gente surtou com a minha decisão, e ficou sem entender nada. Ok, nada de pânico. Não foi uma decisão descabeçada, tomada em meio a um turbilhão emocional causado por hormônios e 10 semanas ininterruptas de mal-estar. Após trabalhar continuamente por 21 anos, essa é uma decisão que foi pensada, repensada, macerada, curtida e recurtida. E a decisão de parar de trabalhar veio com a decisão de engravidar. Os motivos são assuntos para mais de metro para uma Carta Coreana, mas vou tentar resumi-los:

  • o meu trabalho é de natureza altamente estressante. Isso não é bom, mas é contornável. O que não é contornável é ter um fuso horário de 12 horas com o Ocidente, o que força a trabalhar muito além das horas normais; e muito menos contornável é trabalhar em um ambiente insalubre, como o meu antigo escritório.
  • em um ambiente de trabalho predominantemente machista, ninguém quer saber se eu preciso tirar um cochilo de 15 minutos porque estou extremamente cansada: se está no escritório, é prá produzir. E ponto. Afinal, ainda tem muito homem casado e pai de família que acha que sintoma de gravidez é frescura de mulher… Imagina o que dizer dos coreanos no escritório…
  • a fábrica não possui ambulatório, ou um Time de Emergência para Primeiros Socorros. Se algo acontecesse comigo por lá, não dá prá prever o desfecho. Ah, e ninguém fala nada além do coreano.
  • a fábrica fica a 45 Km de Seul, onde moramos. O que significa uma média de 2,5 horas por dia no trânsito, ida e volta. Trânsito insano, por sinal. Também completamente impraticável, no caso de uma emergência.
  • aqui na Coréia não existe Creche, Escolinha, Berçário, ou qualquer outro nome que temos no Brasil. Sim, afinal de contas, para que eles precisam disso? A mulher coreana, com raras exceções, pára de trabalhar quando casa ou quando tem o primeiro filho. E as que continuam trabalhando têm alguém da família (mãe ou sogra) para cuidar da criança. Escolinha aqui, somente após os 3 anos de idade.

Muitos poderiam pensar: ah, mas você poderia arranjar uma babá. Sim, verdade. Mas uma babá coreana? Ou filipina? Alguém pode conceber o fato de ter uma pessoa de uma cultura (e língua) completamente diferente CRIANDO o seu filho(a)? Sair de casa às 7h da manhã, chegar às 8h da noite, e ver seu filho(a) somente nos finais de semana? Não, não é prá mim…

Me sinto privilegiada. Poder ter um tempo para mim durante a gravidez, sem stress, sem correria, cuidando do corpo e da mente é uma verdadeira benção. E poder passar o primeiro ano de vida do bebê cuidando dele é uma benção ainda maior. Isso no Brasil seria impossível. Eu trabalharia até a bolsa de água estourar, e estaria de volta após a licença-maternidade, aos prantos. Como a grande maioria das minhas amigas por lá. E a cena não é bonita de se ver.

Mas voltando ao ponto inicial: essas duas grandes mudanças da minha vida exigiram – e ainda exigem – uma fase de adaptação que não é muito fácil. Aliás, é muito difícil. Mas é um difícil maravilhoso! Viva a adrenalina!

Ok, minhas sinapses foram bem afetadas, mas ainda existe um Ser Pensante nesse Hospedeiro que vos escreve!

Eu voltei!

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Ausência

Sim, o Iacobus está um pouco abandonado… Para saber o por quê, dê uma passada no nosso blog coreano:

http://nosnacoreia.zip.net/arch2008-06-01_2008-06-30.html#2008_06-15_09_43_12-10659718-0

E eu prometo que volto logo!

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