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Papai Noel Coreano

Quer ganhar um presente de Natal daqui da Coréia? Então clique aqui, leia nosso post da semana e participe da nossa super-promoção cultural de Natal!

Um Feliz Natal a todos!!!!

Espírito Natalino II

Candid Feedback

Nossa afilhada Carla fez aniversário, e mandamos um DVD de presente para ela. Momento impagável entre ela e seu filho Henrique, nosso sobrinho postiço de 2 anos e meio:

C: Olha, a mamãe ganhou um presente da Tia Zé e do Tio Renato!!!

H: Cadê eles?

C: Na Coréia do Sul.

H: Onde?

C: Muito longe…

H: E o pejente?

C: Veio com o motoqueiro.

H: E eles não vieram?

C: NÃOOOOOOOO!

H: É um DVD?

C: É.

H: De dejenho?

C: Não, do Kid Abelha…

H: Mas cadê a abelha????????? (já com o DVD na mão querendo colocar no aparelho)

C: Não é de desenho este…

H: Não gostei, gosto de dejenho.

Alguma pergunta?????

Espírito Natalino

chickenhappysanta

– Papai Noel, bem-vindo à Terra Feliz!

– …

Muita gente deixou comentários no post anterior sobre alguns costumes no Brasil. São coisas que a gente nunca pára prá pensar, e que tem uma carga cultural tão grande que não nos damos conta da riqueza histórica que essas pequenas “crendices” têm. Tudo isso vale uma pesquisa mais a fundo!

E a lista dos costumes coreanos continua:

  • Após o nascimento, o bebê fica com a mãe o tempo todo, mesmo quando dormindo. Durante este período, só é permitido à mãe comidas e bebidas quentes (também durante o verão), já que a mulher é considerada “fria”. Uma sopa muito comum é a miyuk guk, uma espécie de sopa de algas marinhas, a qual possui a propriedade de limpar as toxinas geradas pelo processo do parto e tem que ser tomada pela mãe durante as primeiras quatro semanas após o nascimento do bebê.
  • Somente aos parentes próximos são permitidas visitas ao recém-nascido por pelo menos 100 dias após o nascimento. Historicamente isto tem sido feito porque a mortalidade infantil dos bebês coreanos era muito alta. Após os 100 dias é feita uma grande festa chamada baek-il. Tradicionamente, os pais e os familiares oravam aos Samsin (três deuses) por riqueza, saúde, sorte e longevidade. Após, uma celebração era feita com pratos especiais. Hoje em dia, a festa se resume somente à comida…
  • É muito comum os pais massagearem as pernas do bebê para que ele cresça mais e seja um adulto alto.
  • Mais recentemente, os pais começaram a massagear as pálpebras do bebê durante o sono para que ele possa ter as dobras que os ocidentais têm.
  • Enquanto os bebês são pequenos, os coreanos embrulham-nos em várias camadas de roupas e cobertores, mesmo durante o verão. A crença é que os bebês sempre sentem frio, independente da estação do ano.
  • Os pais coreanos adoram carregar seus filhos nas costas. O “carregador” favorito é o podegi, uma espécie de cobertor longo com tiras largas que amarram o pai ou mãe ao bebê, fazendo com que a criança fique segura o tempo todo nas costas, e os pais com movimentos livres.
  • Escolher o nome do bebê pode acontecer a qualquer momento do trabalho de parto ou após o nascimento. A maioria das famílias escolhem um primeiro nome, seguido do sobrenome da família, sendo que não é comum dar ao bebê um nome que já foi usado em qualquer geração passada. A maioria dos primeiros nomes são formados por caracteres que trazem algo da natureza ou do ambiente, uma característica da criança ou ainda algum tipo de significado místico. Cada nome consiste em somente dois caracteres coreanos.
  • A maioria das famílias coreanas escolhem para o bebê um nome com os dois caracteres coreanos e também um apelido. O apelido é usado por membros das família, e o nome tradicional é usado fora do círculo familiar.
  • Uma outra festa era feita no primeiro aniversário para celebrar a sobrevivência da criança durante o pior ano – o primeiro. Como a taxa de mortalidade dos bebês era muito alta, completar o primeiro ano era o marco do potencial de sobrevivência da criança. Então, acontecia a festa chamada Tol: mais comida, mais orações ao deuses, presentes e o tão famoso “teste de carreira para bebês”. Esse teste era – e ainda é – muito especial porque distingue a futura carreira da criança. O bebê senta junto à mesa, e à sua frente há uma série de coisas, como uma arma, um lápis e papel, dinheiro, arroz, etc. Cada item corresponde a uma carreira. Aquilo que o bebê pegar será a escolha da sua carreira no futuro. 

Acho que não vou conseguir fugir da sopa de algas… Ai…

Cartas Coreanas – Gravidez

É claro que eu não poderia deixar esse tema passar em branco!!!

O coreano encara a gravidez com muita seriedade, como algo quase divino. Quando os coreanos do escritório ficaram sabendo que eu estava grávida, me senti uma deusa, uma divindade mesmo, tamanha era a adoração pelo meu “estado”. Gente que nunca tinha olhado na minha cara veio falar comigo, com os olhos brilhando, contando suas experiências e, claro, me enchendo de conselhos… esdrúxulos. Nestes momentos eu me transportava para minha infância e adolescência, quando ouvia que tomar leite com manga matava, que não podia lavar os cabelos quando menstruava, ou pisar no chão gelado porque o fluxo “voltava” (independente do que isso possa significar…). As superstições são parte da cultura do povo e verdades absolutas no modo de conduzir a vida.

São muitas as estórias, os conselhos e as proibições e as obrigações que recaem sobre a gravidez, a mulher e o bebê. Algumas com fundamento, outras com uma estória antiga por detrás, outras ainda cuja razão se perdeu no tempo. Algumas, ainda, lembram lendas antigas, mas imagino que em alguns lugares da Coréia do Sul e do Norte essas regras ainda se fazem por valer:

  • Tradicionalmente, meninos eram tesouros e meninas eram sobras. Meninos sempre foram preferidos porque a nova geração masculina seria capaz de trabalhar nos campos e evitar a extinção do nome da família. Se a mulher não era capaz de dar à luz a um menino (nota da blogueira: como se fosse a mulher a responsável pelo sexo da criança…), então uma mãe substituta era escolhida para providenciar o herdeiro. A sogra era a responsável por escolher essa mulher para o filho.
  • Durante o parto, a mulher estava restrita a ver somente coisas bonitas. Eles acreditavam que tudo que a mulher olhasse iria influenciar na aparência da criança, como a forma e característica. Por exemplo, as mães não poderia olhar para flores mortas já que isso traria um mau presságio.
  • A gestante era e ainda é colocada em uma dieta rigorosa, e a sogra é a responsável por colocar a nora em tal dieta. A dieta geralmente exclui alimentos condimentados e apimentados (porque a mulher já é considerada quente na Medicina Chinesa, e isso impactaria na formação do bebê), alimentos feios (porque resultam em um bebê feio, nos quais estão incluidos alimentos com algum machucado ou já com alguma parte em início de decomposição), alimentos em pedaços quebrados (como macarrão ou biscoitos) e pato (porque o bebê nasceria com os pés “de pato”. Óbvio!).
  • Orações são feitas a Avalokiteshvara,  para proteger o bebê no momento em que ele passa pelo canal vaginal e também para protegê-lo contra desastres naturais e propiciar uma vida tranquila.
  • Orações também são feitas à deusa Samshin durante a gravidez para que venha um menino, ou para garantir que a criança que nasça seja saudável. Essa deusa é conhecida como o “espírito da avó”, portanto é necessário que as mães a dirijam orações para proteger a criança durante o parto e nos anos seguintes de sua vida.
  • Chomboks (adivinhos) são chamados durante a gestação para dizer o sexo da criança, a data de uma cesariana ou até mesmo adivinhar o nome do bebê.
  • Durante todo o trabalho de parto e o nascimento, a mulher é comandada pela sogra. O papel da sogra lá é assegurar que tudo está correndo bem com seu(a) novo(a) neto(a) e que as tradições se completarão com sucesso.
  • Da mesma maneira como na Cientologia, as mães coreanas são mantidas no mais absoluto silêncio durante todo o trabalho de parto. Isto vem da crença de que gritar mostra sinais de vergonha e fraqueza, que serão passados para a criança.
  • Depois do nascimento, não é permitido à mãe fazer absolutamente nada por 21 dias. A sogra é responsável por fazer todo e qualquer trabalho.

A lista ainda está pela metade! E continua no próximo post!

Eu apóio!

Parto do Principio

Para conhecer o trabalho delas, clique aqui!

Lobotomia II

Ocidental morando na Ásia (com exceção do Japão, pois esse tem a imagem do “Primeiro Mundo”) é sempre um stress. Cuidado com a água! Gripe aviária, não sai de casa! Tifo, tétano, hepatite, toma vacina, toma vacina! Os brasileiros que moram aqui na Coréia levam a vida mais na boa, sem neuras, seja porque cuidados com saúde pública já fazem parte do nosso dia-a-dia, seja porque somos mais imunes a mitos e lendas. Mas vamos tomar novamente, como exemplo, nossos amigos alemães e estadunidenses morando por aqui…

Dizem que o leite coreano é o leite com o maior índice de antibióticos do mundo. Mito ou verdade, eu não sei. A única coisa que sei é que todos as marcas de leite aqui são Tipo A, e muito gostosos. Mas nossos amigos anglo-saxões não tomam esse leite de jeito nenhum. Tomam leite orgânico, que custa de US$ 7 a US$ 8, porque tomar um leite com um alto índice de antibióticos é um absurdo. Sem problemas, respeito e louvo a atitude. O que não engulo é que no primeiro indício de um resfriado eles “baixam” no PS do hospital mais próximo para um coquetel molotov… de antibióticos. Sejam os adultos ou as crianças, os pacotinhos mágicos com sete comprimidos descomunais passeiam junto com eles. Tomar leite com antibiótico não pode. Tomar uma dose cavalar de antibiótico desnecessariamente pode.

A água também é alvo dos anglo-saxões. “Tem muito cloro”, dizem eles, “impossível cozinhar com ela. E vai saber como essa água é tratada…” . O resultado disso são galões e mais galões de água mineral utilizados para cozinhar. Também sem problemas, respeito a atitute. E penso que eles não têm idéia do que é cloro na água! Só quem vive em São Paulo sabe o que é abrir a torneira em certos dias e ver um líquido branco sair dela! Enfim… Mas aí vem o outro sapo querendo descer na garganta: o povo vai ao banheiro, faz o número um e o número dois, e sai da casinha sem lavar as mãos. A mão que vai no corrimão da escada do prédio, na porta de casa, nas coisas empoeiradas e na maçaneta do banheiro também manipula o papel higiênico que vai limpar as “partes”, que sai dali e fecha todo o ciclo novamente, incluindo a cozinha, onde ESSA MÃO VAI COZINHAR! Cozinhar com a água da torneira não pode. Fazer cocô e não lavar as mãos pode.

Sou totalmente a favor da mudança de atitudes para uma vida mais saudável. Mas isso tem que estar ligado à coerência. As mesmas pessoas que evitam o leite coreano se entopem coca-cola, gordura trans e comida pronta das prateleiras dos supermercados. Os que não usam a água da torneira não exercem os hábitos mais básicos de higiene, como lavar as mãos, escovar os dentes e tomar banho diariamente.

Talvez a falta de coerência seja o verdadeiro mal da humanidade… O mal de todos nós.

Ele voltou!

É só passar por e saber o que está acontecendo!

Lobotomia

Semana passada estávamos eu, uma australiana e uma alemã – também grávidas – conversando sobre as experiências passadas e as prováveis futuras de se ter um bebê aqui na Coréia. Entra assunto, sai assunto, e surge o inevitável tema “parto”. E eis que o seguinte diálogo surge:

(alemã): Selma, ouvi dizer que a incidência de cesarianas no Brasil é alta. É verdade?

(eu): (ai, meu Deus, e lá vamos nós..) Sim, é verdade. Isso porq…

(alemã, após me interromper bruscamente): Ah, também ouvi dizer que vocês brasileiras não querem fazer parto normal por causa daqueles biquinis sumários que vocês usam! Rs!

(eu):

(australiana):

Ainda perdi alguns momentos tentando explicar os motivos pela alta incidência de cesarianas no nosso país, mas sabia que depois daquele comentário qualquer coisa que eu dissesse não seria absorvida. Então, nem fui muito longe. MASQUERAIOS! Olha, normalmente tenho uma grande presença de espírito e as respostas para esse tipo de pergunta/comentário são imediatas. Mas eu nunca poderia esperar um comentário desses, tamanho o absurdo. Duplamente absurdo: primeiro pela razão colocada, e segundo… eu não consegui entender – NEM DE PERTO – o que ela quis dizer com isso. Não ter parto normal porque a gente usa biquininhos… Hã? Não deveria ser o contrário? O parto normal não vai me deixar nenhuma cicatriz indesejada, caso o médico erre feio na sutura? Ou sei lá mais o quê?

Comentários assim me deixam prostituta da vida. E geralmente são os alemães ou estadunidenses os autores das pérolas, isso porque não existe nunca o intuito de aprender com uma nova cultura, mas sim de utilizar aquilo que eles acham que conhecem para uma piada ou brincadeira de mau gosto. Pessoas de outras nacionalidades sempre nos fazem perguntas inteligentes e pertinentes, ou comentários sobre o que eles já ouviram sobre nosso país, mas gostariam de saber se tal coisa é verdade ou não. Querem saber sobre a violência? Muito justo. Afinal, Cidade de Deus, Tropa de Elite e outros filmes que assustam são os que são vendidos aqui fora. Dá trabalho explicar que o mundo real, dos brasileiros reais, não é necessariamente deste jeito. Mas a gente faz com gosto, porque queremos que as pessoas entendam a nossa realidade. Querem saber se na cidade a gente vê cobra, arara ou macaco? Ok, ok, também damos aula de geografia e meio ambiente. Explicamos que para chegar à Amazônia é necessário voar cerca de 6 horas. Aí a gente ouve: “Vocês, brasileiras, poderiam organizar uma festa! E o dress code não poderia ser mais simples: uma tanga fio-dental com uma pena atrás!”. Lamentável.

Não quero discorrer aqui sobre os motivos que levam as estrangeiras a colocar todas as mulheres brasileiras na Sapucaí em fevereiro. Ou na Praia do Meireles, em Fortaleza. Ou nos bailes funk dos morros do Rio. Mas cansa ter que fazer o trabalho do passarinho no incêndio da floresta. Ir e vir com o bico cheio d’água prá salvar a mata é uma luta inglória, mesmo que válida. Nosso país não se preocupa em vender outra imagem senão a já existente por aqui, afinal é essa imagem que leva divisas ao país, sejam elas lícitas ou ilícitas. Mas me pergunto, e pergunto também a vocês: quando é que isso vai mudar? O que é preciso para que isso mude, já que as fronteiras do mundo estão desaparecendo?

Aliás, alguém consegue entender a estória da cesariana e do biquini? Por favor, mandem uma luz!

PS: a Denise escreveu um post muito legal sobre cesariana (clique aqui para ler), e a Tati sobre o cinema brasileiro (e aqui).