Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Lições…’ Category

Eis o relato do meu parto que publiquei no meu diário de gravidez. Foi uma aventura e tanto! E apesar de tudo o que aconteceu, eu não teria problema algum de passar por tudo aquilo de novo…

Mistérios da maternidade…

*****************************

Quando saímos de casa na manhã do dia 28 de janeiro, já sabíamos que não voltaríamos somente os dois. Teríamos nossa tão esperada filhinha conosco, revirando nossa casa e nossa vida de pernas para o ar – exatamente como queríamos. Sim, a dorzinha de barriga e o frio no estômago eram inevitáveis: quem não se abala diante do novo e do desconhecido?
Saindo de casa

Saindo de casa

Quem me conhece sabe que eu gosto de uma adrenalina no sangue…

Demos entrada no hospital às 8 e meia da manhã. Fomos direto para o Centro de Parto, onde me instalaram imediatamente no quarto que serviria como o quarto de trabalho de parto e do parto em si. É um quarto que se vê no programa da Discovery Health – História de Um Bebê – do tipo “Transformers”: quando a hora do parto chega, vem um exército e tira móvel do lugar, põe uns acessórios adicionais, instrumentos, etc. Me deram um camisolão BONITO prá vestir, e fui colocada no monitoramento fetal e das contrações. Tudo estava bem com a nenê, mas nada de contrações…

"Boniteza" de camisola...

"Boniteza" de camisola...

Monitoramento

Monitoramento

(Sim, minha barriga virava a esquina antes de mim. Quando vi essa foto, eu quase enfartei… Destaque para o papel de parede de flor de maracujá…)

E nesse meio tempo, a gente se instalava no “nosso” quartinho. Comidinhas no frigobar, roupas no armário, TV ligada procurando a programação preferida, o Rê alucinado com a máquina fotográfica registrando e filmando tudo o que podia e não podia. Qualquer semelhança com as últimas férias é mera coincidência!

Às 9 e meia da manhã chegou a médica da equipe do Dr. Lee para o primeiro exame de toque. Era a hora da verdade: a condição do meu cérvix iria determinar que tipo de indução eu receberia. Se o cérvix estivesse com um percentual “x” de afinamento, a indução seria via venal com ocitocina; se estivesse ainda grosso, a indução seria local, com um adesivo de prostaglandina diretamente no colo do útero. O diagnóstico veio rápido: nadica de nada de afinamento. Imediatamente ela colocou uma fita embebida em prostaglandinas no meu cérvix, e a partir daí era só esperar.

Confesso que fiquei até feliz com a fitinha, porque soro pendurado na mão me dá nos nervos. Mal sabia eu o preço de não ter um soro na mão.

Às 10 e meia as contrações começaram, e não passavam de uma dorzinha como uma cólica menstrual. Com o passar do tempo a dor ia aumentando, mas ainda assim como a de uma cólica menstrual. Como eu passei minha adolescência inteira padecendo de cólicas, aquilo não era nada. Até estava divertido, e eu estava bem felizinha durante o meu primeiro almoço no hospital.

Almoço feliz!

Almoço feliz!

Passei a tarde bem, com as contrações aumentando de intensidade e diminuindo o tempo entre elas, e sem problemas para administrar a dor. Às 4 da tarde, TÁ-DÁ! Finalmente a bolsa estoura! Agora sim, eu me sentia perto da nossa filhota chegar! Chamamos a médica para um outro exame de toque: afinal, eu já estava em trabalho de parto há quase 6 horas, e a bolsa estourada era um bom sinal! O exame disse outra coisa: o cérvix não tinha se alterado em nada, e em função disso nem valia a pena perguntar sobre dilatação. Mesmo assim eu perguntei, me fazendo de idiota, e a resposta veio: zero dilatação.

Começou a bater um desânimo. Eram quase 5 da tarde, 6 horas de trabalho de parto e nenhuma evolução. Já comecei a me preparar para uma noite naquele quarto, o que não estava nos meus planos iniciais. Enfim, foi assim.

A partir das 7 da noite a dor começou a aumentar progressivamente, e piorou muito quando o resto do líquido amniótico saiu – E O TAMPÃO TAMBÉM!, às 7 e meia da noite. Fui ao banheiro para trocar a fralda e a camisola que ficou emprestável, e a notícia desagradável veio: o líquido estava verde, sinal que a nenê já tinha feito o primeiro cocozinho lá dentro – o mecônio. A médica veio ao quarto, e explicou que é normal isso acontecer. E é  mesmo. Mas a partir daquele momento era necessário monitorar a nenê constantemente. A cada monitoramento, era um alívio saber que ela estava bem.

A partir daí, a sessão fotos e filminhos foi interrompida… As férias haviam acabado.

O que não estava bem eram as contrações. A impressão que me deu é que alguém tinha ligado um interruptor da dor, tamanha a intensidade dela. Era uma coisa indescritível, algo que depois me dei conta de que era a dor da transição, quando faltam dois centímetros para dilatar e começar a empurar o bebê. Bem, essa dor começou às 8 da noite, e se estendeu por toda a madrugada e início da manhã. Não preguei o olho a noite inteira, porque as contrações estavam de 7 em 7 minutos, às vezes de 3 em 3. Eu saía para andar nos corredores, parava na frente do balcão da enfermagem, as parteiras me olhavam como dizendo “sinto muito, é assim mesmo”, ia para o computador checar e-mails, mas a dor não me deixava enxergar nada. Até bloguei um post aqui, só prá dar o ar da graça e fazer uma graça, mas não foi nada engraçado. Em algum momento da noite pedi uma injeção para a dor, um tal de Demeral. Nem cócegas fez, porque se tivesse feito eu ainda teria o benefício das endorfinas da risada. Eu nem ia tentar pedir uma peridural no meio da madrugada: anestesista de plantão deve fazer parte da mitologia médica. Só me restava passar a noite urrando baixinho de 5 em 5 minutos. Ou 7. Ou 3.

Finalmente o sol nasceu, e pedi um exame de toque urgente. Com toda aquela dor na madrugada, eu deveria estar para parir a qualquer momento. O líquido continuava saindo verde, mas a nenê estava bem. Chegando a médica, a constatação era: 50% de afinamento do cérvix e UM DEDINHO de dilatação. Aí eu tive uma síncope. Passei a madrugada urrando, com dores da transição de parto, para ter UM DEDINHO DE DILATAÇÃO?

Meu mundo caiu…

Pedi mais um Demeral. Nada. Chegou o café da manhã. Ah, sei. Tô super-a-fim de comer. Mas comi, porque ia precisar de forças quando o momento chegasse. Às 8 da manhã, pedi uma peridural. A enfermeira deu aquela puxada de canto de boca comum dos coreanos quando estão em uma enrascada. Apesar de ela consentir e sair do quarto sem dizer nada, eu já sabia qual era o problema: o anestesista com certeza não estava no hospital ainda. No desespero, pedi prá tomar um banho. A água quente me ajudou bastante, e fiquei lá por um tempo que perdi a noção. Deve ter sido bastante, porque quando estava me enxugando a anestesista já estava me esperando no quarto. Olhei no relógio e era 10 e meia da manhã, cravadas 24 horas de trabalho de parto. Eu sempre ouvi estórias ruins a respeito da peridural e tinha bastante receio, mas não senti absolutamente nada, nada, nada. O meu único medo era ter uma contração no momento em que a agulha estava entrando a minha membrana, mas rezei tanto que por alguns minutos nenhuma contração veio. A anestesista colocou um cateter na peridural, e o deixou preso na altura do meu ombro. Aplicou uma injeção do descansa-leão, e em 10 minutos eu estava no céu! E no inferno também. Eu não sentia dor, mas também não tinha mais contrações. Esse era o perigo de aplicar analgésicos na peridural antes de 5 dedos de dilatação.

Meio dia e meia o efeito do analgésico passou, e só senti isso porque as contrações voltaram imediatamente após. Melhor assim. E o Rê saiu correndo prá pedir mais uma injeção do descansa-leão.

A maratona de passa-o-efeito-começa-a-urrar-corre-chamar-a-enfermeira acontecia de 2 em 2 horas.

Às 4 da tarde – 24 horas após o rompimento da bolsa – recebi a primeira injeção de antibióticos. A coisa estava ficando preocupante. Nesse momento o Wlamir chegou – nosso amigo aqui na Coreia – e disse que de lá não saía enquanto a nenê não nascesse. Ainda bem que ele me pegou em um momento de êxtase pós-peridural.

Daqui não saio!

Daqui não saio!

E as visitas não pararam de chegar, todos querendo saber o que estava acontecendo. Às quinze para seis da tarde pedi uma “licencinha prás visita”, porque o bicho estava pegando. Hora de gritar prá enfermeira mais uma dose. E hora prá gritar prá médica mais um exame de toque.

Ministrada a dose da alegria, chegou a médica. Ela fez o que tinha que fazer, e anunciou: 70% de afinamento do cérvix e 2 dedos de dilatação. Eu surtei. Ela disse que iria me dar uma injeção de pitocina, para acelerar o processo. Surtei de novo.

– Você não vai me dar injeção de pitocina coisa nenhuma.

– Mas vai te ajudar.

– EU… ESTOU… DIZENDO… QUE… NÃO… QUERO.

– Mas, mas…

– E eu quero falar com o Dr. Lee, JÁ!

Mal terminei a frase e senti uns 37 dedos cutucando o meu cérvix. Eu não tinha mais forças para dizer nada. Ela estava me ajudando de novo, tentando acelerar a dilatação. Sei. Ganhei meio dedinho de dilatação, e sabe-se o que mais lá dentro. Aí o Dr. Lee chegou às seis da tarde.

– Dr. Lee, eu não aguento mais.

– Ah, deixa eu ver…

– (de novo não…)

– Bom, você está evoluindo.

– Dr. Lee, estou há 32 HORAS de trabalho de parto. Recebendo analgésicos derruba-cavalo a cada duas horas.

– Mas você vai conseguir.

– E qual a sua previsão? Quando isso acaba?

– Eu estimo mais umas 7 ou 8 horas. Ou até mais.

– Dr. Lee, depois de uma noite inteira sem dormir, o sr. quer que – na melhor das hipóteses – eu empurre um bebê de 4.5kg às duas da manhã? EU NÃO VOU AGUENTAR!!!!

Então, resolvi encerrar a novela:

– Dr. Lee, eu quero uma cesariana. Não é de longe o que eu gostaria, mas o bom senso me diz que eu já fiz tudo o que poderia ter feito.

O Dr. Lee foi muito profissional. Ele ainda tentou me convencer do contrário, mas quando ele percebeu que nossa cabeça estava feita, e deu as ordens.

A partir daí, tudo aconteceu muito rápido. Ele saiu da sala, e logo chegou uma enfermeira para me preparar. Ela saiu, e chegou o cara do Raio X. Até tentei argumentar, mas não dava mais. Só pedi um avental de chumbo para a nenê. Depois veio alguém me dar uma injeção. E alguém colocou uma toquinha. E alguém fazia o Rê assinar um monte de papéis, autorizações, e sei lá mais o quê. Desta última, só me lembro que a menina disse que eu poderia tomar uma anestesia geral. Aí eu entrei em pânico. Onde já se viu! Todo esse trampo, e eu iria dormir durante o parto? Nem a pau, Juvenal!

Em 10 minutos eu já estava na maca correndo pelos corredores do hospital até o centro cirúrgico. Eu não via o Rê, e só sabia repetir: cadê meu marido, cadê meu marido. Chegando lá, foram precisos 6 COREANOS para me transferir para a mesa cirúrgica. E injeção de um lado, monitor em outro, um monte de gente me preparando, demarcando a região do corte, e eu discutindo com o anestesista.

– Olha, a peridural não é a mais indicada. Talvez seja preciso uma raquidiana.

– Nem pensar. Eu quero a peridural.

– Mas você vai sentir a cirurgia.

– Sentir dor?

– Não, só um incômodo.

– Moço, depois de 32 horas de parto, EU AGUENTO QUALQUER COISA.

E o Rê chegou. E a cirurgia começou. O Rê viu absolutamente tudo, e eu senti absolutamente tudo. Parecia que estava tomando uma surra. E estava mesmo, porque ela era muito grande.

Às 6:43, a Beatriz nascia. Ouvir o choro dela foi algo indescritível, e quando a colocaram perto de mim eu me pus a chorar. Óbvio! Bem, naquele momento vem uma enfermeira desesperada:

– NÃO CHORA, NÃO CHORA!

Minha pulsação subiu descontroladamente. E depois o Rê me disse que começou a jorrar muito sangue do corte, que ainda estava aberto. Opa… foi mal…

O Rê saiu com ela para o berçário, e eu fiquei lá tendo as coisas colocadas no lugar e costurada. A sensação era surreal. A partir daquele momento, nossas vidas estavam alteradas, para sempre.

A melhor mudança de todas, e a nova aventura só estava começando!!

Anúncios

Read Full Post »

Anima

Na semana passada perdemos um colega da GM. O Helcio – o Branquinho, como ele era conhecido – faleceu depois de lutar muito contra um câncer de intestino. Tinha 44-45 anos, no máximo. Era o nosso homem de Compras em Dubai, e em um de seus retornos de férias ao Brasil, no final de 2006, descobriu o tumor em um exame de rotina. Nunca mais voltou a Dubai.

O Helcio foi um guerreiro. Teve coragem de encarar o fato de que estava morrendo, e partiu para a luta mais importante: a de fazer as pazes com a vida. Preparou a família, organizou a “papelada”, fez sua última festa de aniversário com tom de despedida. Teve últimos meses sofridos, e foi. Ele pode não ter conseguido falar com todos que desejava antes de ir embora, pode ter-se esquecido de alguma burocracia chata que amolaria os filhos posteriormente, mas tenho certeza de que ele foi embora sem nenhuma pendência – com ele mesmo.

Na empresa, todos abalados. Quando a morte é muito próxima, ficamos inquietos e pensativos, imaginando o que estamos fazendo com a nossa vida e que rumo estamos tomando. A primeira coisa que vem à cabeça é a droga do stress. A forma como nos portamos diante dos problemas da empresa. Tudo o que abdicamos em função da… do… de… a gente nem consegue verbalizar ou materializar aquilo pelo qual colocamos a nossa vida de lado.

Minha humilde opinião? O stress não causa câncer. Stress causa gastrite, queda de cabelo, divórcio; causa unha encravada, ferro de passar roupas dentro da geladeira, pesadelo; causa multa por passar em farol vermelho, ausência na apresentação de judô do filho, cárie; mas não causa câncer. Sou muito mais militante da teoria do oncologista que tratou minha mãe no Hospital do Câncer, no início dos anos 90…

O câncer é a doença das mágoas, dos ressentimentos, dos assuntos mal resolvidos da vida. É como se a mente dissesse: “Chega, não dá mais. Cansei, acabou a brincadeira”, e a partir deste momento o corpo obedece e começa a ir embora. Talvez um mecanismo de auto-defesa super-sofisticado, do qual nosso ignóbil raciocínio não consegue entender… Imagino que segundos após ler essa frase, a sua cabeça já começou a vasculhar os “quem” causadores de mágoa e ressentimento na sua vida. Quantas pessoas você achou? Duas, três, dez? Sinto em dizer que há somente uma pessoa responsável nessa estória toda…

Faz parte da vida: as pessoas vem e vão, e mais dia menos dia alguém vai magoar ou ser magoado. Pisar na bola está no nosso DNA. Lidar com a pisada na bola, esse sim é o xis da questão. Entender que nossa vida é feita de várias estórias, e que muitas delas precisam terminar para que outras comecem. Aceitar que nem tudo tem uma explicação racional: as coisas são da forma que nós escolhemos que fossem. Mas isso a gente não sabe, ou não quer saber. É muito duro olhar-se no espelho e ver que o responsável por cada segundo da vida da gente é a gente mesmo. Fácil fazê-lo quando a coisa é boa! Se a coisa é ruim, sempre haverá um bode expiatório, sempre seremos a vítima que “sofreu” a decisão de alguém. Exemplo clássico é a célebre frase “Eu não pedi prá nascer”, proferida naquele momento crucial de saída à francesa de um problema. Não existe mentira maior do que essa, mentira da gente prá gente mesmo! A gente pediu prá nascer, SIM! Cada um de nós era aquele espermatozóide que nadou desesperadamente prá alcançar o óvulo. Éramos nós, mais ninguém.

Minha mãe me contou coisas em seu leito de morte, feridas abertas em seu coração por anos a fio. Nos meus imaturos 24 anos de idade transferi a dor dela para mim, como se tivesse recebido o legado de manter a ferida aberta. Hoje sei que as pessoas envolvidas são as menores responsáveis por tudo o que aconteceu. A verdadeira responsável por carregar tudo aquilo era única e exclusivamente a minha mãe: ela escolheu o tipo de resposta para o problema, mais ninguém. Ela tinha a escolha de responder diferente ao problema, e não o fez. Sim, verdade nua e crua. Nós escolhemos, nós escrevemos a estória.

Hoje tento fazer as pazes com a minha vida. Perdoar-me pelas coisas que eu deixei de fazer, porque aquelas decisões me colocaram hoje no lugar que eu estou, na vida que eu tenho. É a teoria do caos, o efeito borboleta. Coisas ou pessoas diferentes no passado pintariam um presente completamente diferente. Remexer nas bobagens não é fácil, mas é recompensador. A cada perdão, uma luz se acende, a respiração fica mais leve. E novas janelas se abrem, e novos horizontes aparecem…

Carpe diem.

Read Full Post »

Constatação

Quando a TV fica desligada, a casa e o mundo falam em letra de forma. O diabo também.

Read Full Post »

Jogo da Verdade

A Revista Saúde! de dezembro/2007 publicou a matéria Você mais jovem em 14 dias. Dentre todas as coisas que já sabemos e não colocamos em prática, havia algo que me chamou atenção: como descobrir a nossa idade biológica. O nosso condicionamento físico nos diz o quanto a idade cronológica contrapõe a idade biológica. Façam o teste e comprovem! Quem sabe esse não é o empurrãozinho que faltava para por em ação a resolução na virada de ano?

FAÇA UMA VEZ POR SEMANA
A QUANTAS ANDA SEU CONDICIONAMENTO FÍSICO?

Você deve se aplicar o teste abaixo pelo menos uma vez a cada sete dias

A conta parece inverossímil, mas o número de repetições de abdominais pode ser um indicativo da idade biológica do seu organismo, aquela que se contrapõe à registrada na certidão de nascimento. Para realizá-las, flexione seus joelhos e posicione seus braços lateralmente ou sobre o peito. Agora conte quantos abdominais você consegue fazer durante um minuto. Confira os resultados:

IDADE NÚMERO DE REPETIÇÕES
20 a 29 35 ou mais
30 a 39 25 a 29
40 a 49 20 a 24
50 a 59 15 a 19
60 a 69 10 a 14
70 a 79 7 a 9
80 a 89 4 a 6
De 90 em diante 1 a 3

 (fonte: Revista Saúde! é vital No. 293, Dezembro 2007, pag. 42)

Carpe diem! Selma

Read Full Post »

O Tobias, meu amigo sueco aqui na Coréia, já se foi. Dizer adeus foi muito difícil, pois o Tobias se tornou um amigo de verdade – mais uma prova de que as adversidades estreitam as relações com as pessoas certas. Choramos na hora do último abraço, e ele me deixou com um “a gente se vê em breve”. Sim, é isso mesmo: ele, sueco, voltando para os EUA; eu, brasileira morando na Coréia, quase no status de sem-lenço-sem-documento. Ele disse um até breve, e eu acreditei. Ele foi embora, feliz, e eu fiquei, com quase nenhuma tristeza no coração, porque eu sabia que ele estava certo.

Fiz uma retrospectiva dos últimos 3 anos:

aaaeeehhh1.jpg

Foto tirada na casa do Tondinha, em novembro de 2004. Acima, da esquerda para a direita: Rê, eu, Helder; abaixo, Tonda, Edgardo, Blanco. Os únicos que continuam no Brasil são o Tonda e o Blanco. Heldim está na Austrália, Ed no Japão, Rê e eu vocês já sabem…

meninos.JPG

No casamento do Douglas, em julho de 2005. Neste exato momento, metade da gangue mora em terras estrangeiras. Da esquerda para a direita: Kuny (Brasil), Fofinho “Roberto” Matador (China), Rê (Coréia), Adolfo (Brasil), Fabito (EUA), Hara (EUA), Maurito (Brasil).

meninas1.JPG

No mesmo casamento, da esquerda para a direita: (com todo o respeito, vou pular a primeira… É a ex do amigo, e eu não me lembro o nome dela…) Carlinha (Brasil), Marina (Brasil), Lola “Carla” Marcelli (China), Karin (EUA), eu (Coréia), Rowina (Japão).

Já não dá mais prá dizer “estamos longe”. Longe de quê? Do país no qual nascemos? Sim, pode ser. Longe dos amigos? Acredito que não mais… Em fevereiro estivemos em Kioto, visitando o Ed; em julho em Tóquio, com a Rowina; em setembro, o Rê esteve na Austrália, com o Heldim. A Lola e o Fofinho Matador estiveram conosco aqui na Coréia na semana passada. Afinal de contas, tecnicamente nós somos vizinhos! Nossos referenciais mudaram, as fronteiras estão caindo, e literalmente estamos por aí, espalhados neste mundão de Meu Deus!

Ainda guardo no fundo do meu coração a mensagem de Richard Bach, em Longe é Lugar que Não Existe. Ainda somos como a pequena Rae, que irá esperar confiante a presença do amigo mesmo sabendo que ele precisará transpor desertos e montanhas. A diferença? Os desertos e montanhas estão mudando de lugar…

E esse é só o começo da estória… Fico imaginando quem será o próximo…

Carpe diem! Selma

Read Full Post »

Escolhas e Renúncias

Depois de um mês de reclusão, estou de volta. Me assustei quando percebi que havia um mês que eu não postava e que minha caixa postal estava cheia de mensagens não respondidas. Colocar tudo de volta nos trilhos é uma tarefa difícil, já que lidar com pendências não é um dos meus pontos mais fortes. Taí algo que preciso melhorar.

Setembro começou agitado. O trabalho me consumiu física, moral e psicologicamente, já que a pressão do projeto em que trabalho tem aumentado tremendamente. Uma viagem a trabalho para o Brasil também me tirou da rotina, provocando um misto de euforia e stress, pois já sabia que perderia a paciência com a agência de viagens coreana para uma simples reserva de vôo; também já sabia que teria que enfrentar 36 horas de viagem até São Paulo, encarando a imigração nos EUA e todas as horas de lay-overs no meio do caminho; e também já sabia que enfrentaria um jetlag de 12 horas sem tempo para dizer que estava com sono e portanto precisaria sair do trabalho às 5 da tarde. Aliado à tudo isso, família e amigos os quais eu não poderia passar tempo suficiente juntos.

A dupla euforia+stress não foi infundada. Desembarquei em São Paulo no dia 8, sábado. Foi bom pisar em solo brasileiro, me espantar com o azul do céu que já não via há muito tempo, rever família e alguns amigos, comer uma pizza Marguerita e tomar café na padoca todos os dias. Sem falar do arroz/feijão/bife/salada e muita linguiça calabresa! Mas sofri muito com o jetlag, com o ar desértico que São Paulo tinha naquela semana (ainda não acredito que a umidade relativa do ar estava 15%…) e com a gripe que me derrubou no segundo dia. Dos poucos planos pessoais que fiz para aquela semana, quase nenhum se concretizou. E para não ajudar, estar no Brasil sem o Renato foi uma experiência horrível, e a cada dia eu queria voltar para a minha casa na Coréia. Essa foi uma conclusão um tanto quanto estranha, pois como eu poderia estar no lugar que eu nasci e querer voltar para casa, na Coréia??? Bem, acredito que quem morou ou ainda mora fora do Brasil entende o que eu estava sentindo… Embarquei de volta para casa (?!?) no dia 15, chegando no dia 17 no final do dia. Na bagagem, alguns vidros de palmito e alcachofra, trigo para quibe, paçoquinha, farinha de milho, bala de leite Kids e Sete Belo, e o aperto no coração de não ter conseguido ver ou falar com todas as pessoas que eu gostaria. Mas pensando no propósito principal da viagem – afinal, fui ao Brasil a negócios – tudo deu certo e plantei as sementes que precisava. Bem, estava de volta e eu teria algumas horas para passar com o Renato, já que na manhã do dia 18 ele embarcaria para a China, voltando somente no dia 20. De volta à rotina…

Dia 18 começou sem trégua. Levei o Renato para o aeroporto, e chegando na fábrica recebi a notícia que meu amigo Tobias (falei sobre ele no meu primeiro post) tinha pedido a conta, e só trabalharia por mais duas semanas. Uma perda irreparável, mas fiquei feliz por ele, pois de volta aos EUA ele voltaria a viver com a família. Viver na Coréia com a família nos EUA é algo que ele não podia mais suportar, algo que eu jamais conseguiria fazer. Refeita do susto, eu teria até dia 21 para colocar a casa em ordem – ajustar o fuso horário, entregar alguns relatórios-surpresa na fábrica, arrumar minha casa propriamente dita – antes de embarcar para o Cambodja para uma semaninha de descanso. Ufa…

Sim, sim, eu sei que ouvirei “Caramba, vocês só viajam!”. É que literalmente é só isso mesmo. É a única coisa que a gente consegue fazer! Somos porcos que trabalham: acordamos, comemos, trabalhamos, comemos, trabalhamos, comemos, trabalhamos, dormimos, acordamos, comemos, e assim por diante. Quando chega um feriado “decente”, aproveitamos para escapar da rotina e recarregar as baterias. E o Chuseok (pronuncia-se “tchu-sók”) é um desses grandes feriados que não podemos deixar passar em branco. Então…

… embarcamos no dia 21 à noite, e após 5 horas de viagem, chegamos ao Cambodja. Clima tropical, umidade altíssima (minha pele seca agradece!), e 6 dias pela frente que trariam um impacto além do esperado em nossas vidas. O Cambodja é um tesouro a céu aberto: centenas de templos escondidos por séculos pela densa floresta do país, uma civilização avançadíssima que sucumbiu por todas as guerras que passou deste o século 15, um povo que tenta se reerguer com orgulho e esperança de uma guerra que acabou em 1999, somente 8 anos atrás. Quatro milhões de minas terrestres ainda escondidas pelo país, que matam por dia 30 pessoas em média e invalidam tantas outras, minas que mostram sua cara na ruas de Siem Riep: pessoas mutiladas, sem braços ou pernas, profundas cicatrizes no corpo e na alma que não deixam dúvidas do que é o horror de uma guerra. Nosso guia, um ex-soldado que há 9 anos começou a trabalhar com turismo, nos contou que seu pai morreu de fome em uma prisão. Um rapaz do museu da guerra que visitamos teve seus pais mortos por soldados (ele deveria ser só uma criança), e ele me olhava com aqueles olhos doloridos e me repetia “você tem sorte de não haver guerra no seu país, muita sorte”. Eu só conseguia dizer: “sim, muita sorte”.

E as pessoas ainda conseguem sorrir. As crianças, lindas de morrer, me fizeram entender porque a Angelina Jolie adotou um menino por lá. Não tem como não se apaixonar por aquelas crianças de grandes olhos negros sorrindo prá gente e estendendo os bracinhos.

De volta prá casa no dia 28, com o corpo e o espírito renovados. Objetivos realinhados e pilhas recarregadas,  foi o momento para arrumar gavetas, armários e disposição dos objetos da casa para dar continuidade à renovação. Coisas que parecem corretas e que se encaixam perfeitamente passam a ter outra cara quando passamos por uma experiência marcante. Aquilo que parecia estar no lugar correto se mostra completamente fora de contexto.

Para cada escolha que fazemos, uma renúncia é necessária. Mais do que filosofia, isso é uma lei da física, já que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Tendendo a fazer mil coisas ao mesmo tempo, nos sentimos impotentes e fracassados quando algo escorre pelas maõs. Em função do meu “crazy September”, tive que renunciar ao meu blog e aos meus e-mails. A sensação de fracasso me dominou por todo o mês, mas hoje vejo que a renúncia foi positiva. Tive bons resultados na minha vida profissional; perdi peso, quase tudo o que gostaria; fui ao Brasil; fiz uma das melhores viagens da minha vida, no Cambodja. Tento agora não me sentir fracassada por não fazer tudo o que gostaria ao mesmo tempo, mas sei que a tarefa não será fácil.

Como já disse Gilberto gil: o grão tem que morrer prá germinar…

Carpe diem! Selma

Read Full Post »

Esteja onde ela estiver, Dna Bê deve passar o dia inteiro enrolando coxinhas, preparando pastéis de carne, mussarela e queijo branco com tomate, pré-assando as massas para a pizzada de logo mais. O bolo já está pronto, pois bolo embrulhado se faz na véspera para pegar o gostinho da calda de chocolate e deixar o côco ralado bem molhadinho. É bem provável que ela faça um doce de chuchu: ela adora servir o doce, pedir para adivinhar do que é, receber a resposta “oras, de mamão verde!”, e dizer orgulhosa que é de chuchu!

Já faz tempo que eu deixei de ser a ajudante oficial da Dna Bê na preparação das festinhas. Mas sei que onde ela está tem bastante gente ajudando, e que não vai comer metade das coxinhas cruas enquanto as prepara!

dna-be-16-anos.jpg

Essa é a mamãe quando tinha 16 anos. Tenho certeza que é assim que ela está, lá no céu, pois essa sempre foi a verdadeira idade da alma dela. Vibrante, positiva, cheia de vida.

Feliz eternos 16 anos, mamãe!

Carpe diem! Selma

Read Full Post »

Older Posts »