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Archive for the ‘Caminhantes’ Category

Prêmio Dardo

No meio do turbilhão que estava vivendo logo depois da chegada da Beatriz, recebi a indicação da Simone do Made in China, e da Bianca do Buraco da Fechadura para o Prêmio Dardo, que “reconhece os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, suas palavras”:

 

selo-blog

 

E as regras do prêmio são as seguintes:

1) exibir a imagem do selo no blog (tá exibido!)

2) linkar o blog  pelo qual você recebeu a indicação (tá linkado!)

3) escolher outros 5 blogs para entregar o prêmio (tá embaixo!)

4) avisar os escolhidos (já tô avisando!)

 

Eis os meus escolhidos para receber o prêmio

1) Idéias e Letras, blog da Carina

2) Receita de Aconchego, blog da Aninha

3) Breakfast at Tiffany’s, blog da Karen

4) Causos da Indústria Automobilística, blog do Jenf

5) Diário de Uma Jovem de 50 Anos, blog da Picida

 

Simone e Bianca, muito obrigada pela indicação!

Carina, Aninha, Karen, Jenf e Picida, parabéns! Vocês merecem!

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Mimada

Deste jeito, essa humilde blogueira que vos escreve vai ficar mimada e mal-acostumada…

Holly, obrigada pelo carinho!

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Procurando um amigo?

Problema resolvido! Dêem uma passadinha do blog da Holly! Com certeza vocês o encontrarão! Eu sei que será paixão à primeira vista! J

Carpe diem, Selma

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Hamlet

Ser expatriado tem suas vantagens. E desvantagens. A proporção destas duas depende diretamente das respostas que cada um dá para a vida. Para mim, em outras palavras, depende única e exclusivamente de quanto a pessoa está disposta a ser feliz de verdade, encarando cada momento com uma oportunidade de crescimento e aprendizado. Entrar de cabeça em tudo? Sim.

Mas tudo não é tão simples assim. Entrar de cabeça em tudo significa conquistar territórios pessoais, fincar raízes, cativar pessoas, fazer novos amigos, criar rotinas. Tudo muito efêmero, sabendo que em qualquer momento podemos voltar às nossas antigas raízes ou partir para uma nova aventura em outro lugar. Dar-se conta disto é como chegar a uma encruzilhada no caminho, e decidir para que lado ir.

A decisão de qual caminho seguir é pessoal, e de novo, depende das respostas que damos à vida. Há aqueles que optam pela redoma, por proteger-se de qualquer coisa que os faça sofrer: um novo amigo querido que nunca mais será visto, uma rotina que nunca mais poderá ser reproduzida, um lar que precisará ser abandonado por ser temporário. E há aqueles que optam por viver tudo intensamente, mesmo sabendo que o sofrimento virá ao dizer adeus à coisas, lugares e pessoas e que provavelmente será um adeus para sempre.

Não há resposta certa ou errada. Há somente a resposta.

Ser ou não ser – eis a questão

Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz, ou pegar-me em armas contra o mar de angústias – e, combatendo-o, dar-lhe fim?

Morrer; dormir; Só isso. E com sono – dizem – extinguir dores do coração e as mil mazelas naturais a que a carne é sujeita; eis uma consumação ardentemente desejável.

Morrer – dormir – dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo! Os sonhos que hão de vir no sono da morte quando tivermos escapado ao tumulto vital nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão que dá à desventura uma vida tão longa.

Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo, a afronta do opressor, o desdém do orgulhoso, as pontadas do amor humilhado, as delongas da lei, a prepotência do mando e o achincalhe que o mérito paciente recebe dos inúteis, podendo ele próprio encontrar seu repouso com um simples punhal?

Quem agüentaria fardos gemendo e suando numa vida servil, senão porque o terror de alguma coisa após a morte – o país não descoberto, de cujos confins não voltou jamais nenhum viajante – nos confunde a vontade, nos faz preferir e suportar os males que já temos, a fugirmos para outros que desconhecemos?

E assim a reflexão faz todos nós covardes.
E assim o matiz natural da decisão se transforma no doentio pálido do
pensamento. E empreitadas de vigor e coragem, refletidas demais, saem de seu caminho, perdem o nome de ação.

William Shakespeare (1564-1613) Hamlet, Ato III, cena 1

Carpe diem, Selma

PS: meu muito obrigado à amiga Valéria Bertagni, também expatriada na Coréia do Sul e co-autora deste post.

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Composição

meditando.jpg 

Composição

Às vezes, sentado, penso
em músicas que poderia compor
Mas chega um instante, entendo
Que só repasso músicas que sei de cor.

Em dado momento reparo
letras se formando em minha mente
De repente paro e penso:
que música é essa?

Uma vez um sábio disse:
“ninguém pode lhe tirar o conhecimento”
Embora não acreditasse,
tudo ficou claro naquele momento

Corro, pego uma folha
cheia de pautas musicais
Até que percebo. Olha!
Essa música… Não sei mais!

(Johnny Blaze)

Johnny Blaze é o pseudônimo do meu priminho Diego (ahn, não tão mais priminho assim…), filho da minha prima-irmã (mais irmã do que prima!!!!) Marta. O Diego, além de violinista, agora virou poeta! Foi com essa poesia que ele ganhou o Concurso de Poesias na cidade onde ele mora – São Pedro – em setembro passado!

E não é que ele descreveu exatamente o que acontece comigo quando tento escrever?

Carpe diem! Selma

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Por que Heloísa?

porqueheloisa.jpg

Foi dica da Carina em meados de agosto, que eu imediatamente adicionei à lista de contrabandos vindo do Brasil!

“Por que Heloísa?” foi escrito por Cristiana Soares, e conta a estória da menina Heloísa, que nasceu com paralisia cerebral. A estória é baseada na vida de Luísa, filha de Cristiana, que atualmente tem 14 anos. O livro é uma grande lição de vida, e escancara a realidade do nosso país: o Brasil está há anos-luz da verdadeira inclusão do deficiente na sociedade. E, como não era para ser diferente, me fez [de novo] pensar na vida…

Outro dia encontrei, no clube que frequentamos aqui em Seul, uma americana completamente sem cabelos. Ao olhar para ela, vi o rosto da minha mãe. Ela tinha o mesmo olhar, o mesmo rosto sofrido pós-quimioterapia que eu vi tantas vezes lá em casa. Saí do clube no meio de um acesso de choro (o Renato sem entender nada) e começamos a conversar sobre essa mulher e a minha mãe. Essa americana, sem cabelos e com o rosto marcado pela químio, tem o mesmo espaço na sociedade que ela tinha quando estava sã. Andar pela cidade e levar uma vida normal não é nenhum absurdo, e as pessoas não se sentem atingidas, ameaçadas, invadidas, ou seja lá qual for o termo correto. Minha mãe, quando perdeu os cabelos, não saiu de casa enquanto não compramos uma peruca para ela. Sempre enxerguei isso como algo inerente à vaidade feminina, mas a partir daquele instante no clube vi que não era só isso.

O Brasil se auto-intitula o país da diversidade social. Acho que é uma meia-verdade. As pessoas não estão preparadas para encarar “diferenças”. Que jogue a primeira pedra quem nunca se chocou em cruzar com uma criança com Síndrome de Down. Ou ainda que quis sair correndo se essa criança começou a puxar um papo sem muito nexo. Ou quem se “sente mal” por ver uma pessoa com câncer, sem cabelos e com a pele amarelada. Ou que “morre de pena” em ver um cego andando de bengala pela rua. Essa é a cara do brasileiro: tudo é festa e tá tudo muito bem enquanto um “desvio” não aparece no meio do caminho. Aí, o brasileiro congela. Estanca. Fica com aquela cara de quiabo sem saber o que fazer, nem o que falar. É aquela vontade de esconder o rosto e acreditar que estamos invisíveis, como a brincadeira que todos fizemos quando crianças.

Viver na Ásia tem me ensinado algumas coisas. Aqui na Coréia, a cidade é toda preparada para o deficiente, seja ele qual for. É impressionante a quantidade de cegos, cadeirantes e outros deficientes pelas ruas. No início até imaginei algo bem estúpido do tipo “deve ter alguma coisa errada com os genes coreanos para ter tanto deficiente assim”, mas depois percebi que a minha estupidez era nada mais nada menos que o retrato do brasileiro em relação à deficiência. No Cambodja, então, nem se fala: considerando o tanto de minas terrestres ainda escondidas no país, dá prá imaginar a quantidade de mutilados andando pela cidade. Muito mais do que um brasileiro pode suportar.

Coisa engraçada… Acabei de me dar conta de que eu convivo com deficiências desde que eu nasci. Minha mãe era deficiente auditiva. Ela começou a perder a audição aos 13 anos, fruto de um grito de uma colega de escola deu no ouvido dela, e aos 18 anos o tímpano estava completamente seco, sem reversão. Talvez hoje a coisa não fosse não severa, mas nos idos de 1940/1950 não se prestava atenção a muitas coisas. Bem, me lembro muito bem de passar a sabatina a todos os amigos que iam em casa pela primeira vez: “Pessoal, minha mãe é surda. Ela usa aparelho auditivo mas ela só vai entendê-los se vocês falarem olhando para ela, pois ela precisa ler os lábios de vocês. Se vocês falarem de costas para ela, ou tamparem a boca, ela não vai entender. Entenderam?” Era assim mesmo, vários “entender” na frase! Não sei o que meus amigos de infância e adolescência pensavam, porque eu nunca dei importância para isso. Mas fico curiosa de saber hoje qual era a reação deles quando estavam frente à frente com a minha mãe…

No livro, Cristiana fala do tantão de dificuldades que ela enfrentou e ainda enfrenta com a filha. É calçada esburacada e sem rampa; é loja, restaurante, biblioteca, metrô, escola e tantos outros lugares sem acesso para cadeirantes; é parque de diversões e buffet infantis sem brinquedos que as crianças deficientes possam brincar. A família fica cansada de planejar caminhos, entender pessoas (sim, eles entendem que as pessoas não estão acostumadas com deficientes na rua…), de lutar sempre para conseguir as coisas mais simples para o bem-estar de Luísa. Mas a família não se entrega, pois se Luísa está feliz, todos estão felizes.

“Por que Heloísa?” virou meu livro de cabeceira. Cada vez que o leio eu choro emocionada, pela grande lição de vida, perseverança e tolerância que Cristiana passa de uma forma tão simples e real. Pois, todos os dias, em maior ou menor escala, passamos por momentos difíceis. É quando Cristiana diz, tão sabiamente: “Se eu ficar borocoxô, quem vai ensinar para ela que a vida é do balacobaco?”.

Carpe diem, nesta vida que É DO BALACOBACO! Selma

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O Tobias, meu amigo sueco aqui na Coréia, já se foi. Dizer adeus foi muito difícil, pois o Tobias se tornou um amigo de verdade – mais uma prova de que as adversidades estreitam as relações com as pessoas certas. Choramos na hora do último abraço, e ele me deixou com um “a gente se vê em breve”. Sim, é isso mesmo: ele, sueco, voltando para os EUA; eu, brasileira morando na Coréia, quase no status de sem-lenço-sem-documento. Ele disse um até breve, e eu acreditei. Ele foi embora, feliz, e eu fiquei, com quase nenhuma tristeza no coração, porque eu sabia que ele estava certo.

Fiz uma retrospectiva dos últimos 3 anos:

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Foto tirada na casa do Tondinha, em novembro de 2004. Acima, da esquerda para a direita: Rê, eu, Helder; abaixo, Tonda, Edgardo, Blanco. Os únicos que continuam no Brasil são o Tonda e o Blanco. Heldim está na Austrália, Ed no Japão, Rê e eu vocês já sabem…

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No casamento do Douglas, em julho de 2005. Neste exato momento, metade da gangue mora em terras estrangeiras. Da esquerda para a direita: Kuny (Brasil), Fofinho “Roberto” Matador (China), Rê (Coréia), Adolfo (Brasil), Fabito (EUA), Hara (EUA), Maurito (Brasil).

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No mesmo casamento, da esquerda para a direita: (com todo o respeito, vou pular a primeira… É a ex do amigo, e eu não me lembro o nome dela…) Carlinha (Brasil), Marina (Brasil), Lola “Carla” Marcelli (China), Karin (EUA), eu (Coréia), Rowina (Japão).

Já não dá mais prá dizer “estamos longe”. Longe de quê? Do país no qual nascemos? Sim, pode ser. Longe dos amigos? Acredito que não mais… Em fevereiro estivemos em Kioto, visitando o Ed; em julho em Tóquio, com a Rowina; em setembro, o Rê esteve na Austrália, com o Heldim. A Lola e o Fofinho Matador estiveram conosco aqui na Coréia na semana passada. Afinal de contas, tecnicamente nós somos vizinhos! Nossos referenciais mudaram, as fronteiras estão caindo, e literalmente estamos por aí, espalhados neste mundão de Meu Deus!

Ainda guardo no fundo do meu coração a mensagem de Richard Bach, em Longe é Lugar que Não Existe. Ainda somos como a pequena Rae, que irá esperar confiante a presença do amigo mesmo sabendo que ele precisará transpor desertos e montanhas. A diferença? Os desertos e montanhas estão mudando de lugar…

E esse é só o começo da estória… Fico imaginando quem será o próximo…

Carpe diem! Selma

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