Ontem sonhei com a Pepita, minha vira-lata querida da minha infância. Estávamos na casa onde eu cresci: era manhã, e como todas as manhãs, a Pepita ficava à porta de vidro da cozinha, esperando para entrar e fazer a festa. Ela estava lá, a imagem distorcida pela vidro canelado, o rabinho abanando. Eu olhei, não abri a porta, não sei por que. No mesmo instante, ela entra na cozinha pelo outro lado – e eu sem entender nada! Não interessava, porque eu queria a minha cadelinha comigo por alguns segundos, para matar as saudades! Ela brincou comigo, e foi caçar uma lagartixa que andava pela parede. Como ela gostava de lagartixas! Caçá-las, na verdade! Ela pegou a lagartixa, a jogou de um lado para o outro, se cansou, e voltou para o meu colo para descansar um pouco… Senti seu cheiro, o calor, as lambidas no rosto. E prá variar, acordo chorando de saudades…
A Pepita chegou na nossa vida em um momento muito difícil, lá nos idos de 1982. Eu me lembro claramente do momento em que ela entrou pela porta da sala, carregada pela dona da Fox Paulistinha que havia sido “enganada” pelo Pequinês do vizinho. Aquela cadelinha minúscula, com 40 dias, tremendo de medo… A partir deste momento, nossa casa de encheu de alegria e todos os problemas ficaram insignificantes! Era um anjinho que Deus colocou dentro da nossa casa.
Mas era uma praga, também! Passou o primeiro ano dela roendo todos os chinelos do meu pai, e os próximos anos também! Presente do Dia dos Pais? Fácil, um chinelo franciscano, pois o do último ano já havia sido desintegrado pela Pepita!
Foi minha companheira de adolescência, minha irmãzinha mais nova…
Teve uma única paixão – o Sparkie – um Pincher um ano mais velho que ela. Quando ela tinha 4 anos, eles se “casaram” e nasceram 6 filhotes. Um deles, o Ponguinho, passou a integrar a Família Felice. Mais um tantão de alegrias prá gente!
A Pepita foi embora 6 meses depois da morte da minha mãe. Ela foi definhando aos poucos, ficou doente, e não havia remédio que a trouxesse de volta. Não há remédio que cure tristeza…
Em maio de 1995, um pouco depois que ela completou 13 anos, ela foi morar com a minha mãe. Ela o que ela queria. Rever a mamãe querida…
Ela volta, de vez em quando, para me visitar em sonho. Faz festa, pula no meu colo, se deixa abraçar por mim, me deixa matar a saudade um pouquinho. Eu acordo chorando, um choro de saudade, um choro doce das lembranças felizes, dos momentos felizes, das plantas quebradas no jardim, dos cobertores rasgados.
Até o próximo sonho, Pepita querida! Para brincarmos de novo!
Diana (Boca Livre)
Composição: Toninho Horta – Fernando Brant
Velha amiga
Eu volto à nossa casa
Já não te encontro alegre
Quase humana
Corpo pintado
De branco e marrom
E uma tristeza no olhar
Como se conhecesse
Dor milenar
Já não te encontro
À espera ao pé da porta
Correndo viva e bela
Ou descansando
Tanto vazio por todo lugar
Tanto silêncio
Sinto ao chegar
Ao nosso território de brincar
Almoço aos domingos
A velha farra
Todos vão inventando
Novos segredos
Fica a ausência
Branca e marron
E a tristeza milenar
Mas os meninos voltaram a brincar
Como se ainda sentissem o seu olhar
Diana, Diana, Diana, Diana, Diá,
Diana, Diana
Diana, Diana, Diana, Diana, Diá,
Diana, Diana
Carpe diem, Selma



Oi Selma!
Eu também sonho às vezes com meu poodle, o Ringo, que se foi aos 15 anos de idade e há 15 anos atrás.
Hoje eu tenho duas boxers muito lindas.
Cães deveriam viver tanto quanto tartarugas. Não deveriam ir embora tão cedo deixando tanta saudade.
Beijos.
Oi Patroa Linda!
Sonhar é uma grande viagem, chegamos a sentir a “pessoa” tão próxima, que parece que podemos tocá-la!
MUITOS SONHOS PARA VC!!
Bjs
Lucy, como eu queria que tartarugas fosse cachorros… Ou algo assim… A saudade é muita!
Bjs!
Lu, ela sempre vem me visitar! Nao vejo a hora da próxima!
Bjs!
Selma,
Concordo com você.
Nossos bichinhos são anjinhos enviados por Deus…
P.S.: Por onde andas?! Tenho sentido muito a sua falta…:(
Bjinhos.
Aninha
Oi Aninha!
Sumi mesmo… Problemas familiares, profissionais, final de ano chegando, aquele stress… Mas estou aqui!
Ja’ ja’ passo no Receita e no Franjas!
Bjs!
Selma,
Em um dos seus posts li que “Você é aquilo que você come.”; eu acredito que “Você é aquilo que você vive…!” .
A maneira como assimilamos os acontecimentos, as recordações e fatos especiais de nossa vida, traduzem quem somos e através de um “improvement process” nos tornam pessoas melhores e especiais.
Sentir SAUDADES é um bom sinal !
Ana
Oi Ana, que bom que você conseguiu postar! Obrigada por acompanhar o Iacobus!
Sim, somos os que vivemos, e principalmente, somos a resposta que demos às nossas experiências passadas. Somos o caminho que escolhemos!
Bjs!
Selma,
Eu nunca animais de estimação, e sempre morri de medo de tudo quanto é bichinho, mas gostei da sua Pepita e da história que vocês viveram. Tomara que ela sempre apareça em seus sonhos.
Beijos
Não sou muito de bichinhos, você sabe bem disso, mas fiquei super emocionada e consegui visualizar a Pepita na porta da cozinha da titia e ela falando:”Vem com a mamãe!”. Lembranças mexem muito com a gente .Quando chega no Brasil ? Saudades de todos. Beijos!!!!!!!
Oi Carina, antes da Pepita eu tive a Dulcinéia! Uma galinha carijó! Ela brincava comigo como se fosse um cachorro, era demais! Mas com a Dulcinéia eu nunca sonhei… Bjs!
Oi Marta! Pois é, aquelas duas eram grudadas uma na outra! Eu chego no Brasil no dia 7! Assim que chegar te ligo! Bjs!
Nó na garganta.Lágrimas nos olhos. Sua história me tocou muito. Eu tive um poodle que chegou filhote, no primeiro mes de casamento. Se chamava Alf. Como não tive filhos, ele ocupava um espaço enorme na minha vida e do Décio. Ele e meu pai eram muito amigos, se adoravam e ele morreu uns dois meses depois de meu pai, aos 13 anos de idade. O Décio chorou feito criança e olhamos para nossa casa vazia,era a primeira vez que ficávamos sózinhos mesmo, sem o Alf. Nunca sonhei com ele, mas acredita que ás vezes chamo meu boxer Bob de Alf? Faz quase 10 anos que ele morreu.
Selma,Selma,ai ai ai…
Tenho aqui ao meus pés o Dudu,maltês de dois anos e dois meses.Primeira e derradeira experiência com cães porque depois dele,Selma, o dilúvio.
Nunca mais vou sentir nada igual.
Chegou também num momento crucial de perda e ,pensei , seria um emissor de carinho.Engano!
Provocou a volta dos meus sentimentos mais profundos de emoção e sensibilidade e,na verdade, há uma troca de ternura entre nós dois e os demais da família (marido,filhos,genros,neta)
Dudu é um agregador,um ímã.Mexeu tanto comigo que estou aqui,lágrimas descendo pelo rosto,eu-a durona que não mostrava emoções e ,muito menos, as compartilhava.
Um beijo e toda minha solidariedade pela sua perda.Faça um cafunezinho nela por mim no próximo sonho.
Thereza
Picida, o Alf deve ter morrido na mesma época em que o Ponguinho – o filhote da Pepita – também morreu. Não tem jeito, eu ainda escuto o barulho daqueles dois andando pela casa… Acho que você também ouve o Alf, não? Bjs…
Oi Thereza! Seja bem vinda e obrigada pela visita! A forma com que você descreveu a experiência de um familiar canino – o dilúvio – resume toda a intensidade de sentimentos que aparecem, e que nunca mais vão embora. Ainda bem! Bjs!