Quem me conhece, sabe que eu não assisto novelas. Sim, sim, sou a própria alienígena! Há uns dois anos, no saudoso encontro “mulherístico” no toilette da empresa durante o horário do almoço, fui rechaçada – sem dó nem piedade – porque eu não sabia que era a tal da Nazaré, vilã da novela Senhora do Destino, a qual eu nunca tinha assistido!
- Hellou-ou! Em que planeta você vive???
- Gente, é que eu não assisto novela, não gosto…
- Mas se você não assiste novela, você assiste o quê à noite???
- Ah, eu assisto os seriados da Sony, da Warner, os programas da People & Arts, essas coisas…
- Mas peraí! Tudo bem de não assistir a novela, MAS NÃO SABER O NOME DA NOVELA é coisa de marciano!
E assim foi a desgraceira geral! Não teve perdão! Beleza, fiquei como ouvinte-não-participativa-marciana-mor em muitas das conversas do banheiro! Era divertido…
Eis que, nessa semana, eu estava passando por aquele vazio mental sem conseguir escrever uma palavra e decidi navegar pelo You Tube para me distrair. Achei no “Meus Favoritos” um vídeo do último capítulo do Roque Santeiro, e também a abertura da Transas e Caretas. Foi quando tudo ficou muito claro prá mim: eu minto quando eu falo que eu não assisto novelas porque eu não gosto. Desculpem amigos, mas essa é a verdade que eu acabei de descobrir. Porque…
… assistir novelas era algo que eu fazia com a minha mãe. Era o nosso momento mágico, o momento em que a louça do jantar podia esperar até o Jornal Nacional começar (mas tudo tinha que ficar arrumado até o final do JN!). Consigo reviver imagens, cheiros e sons daqueles momentos: minha mãe sentada na poltrona, ora tricotando blusas de lã para a família e os amigos, ora crochetando tapetes feitos com sobra de malha da oficina da Madrinha, o cheiro de amendoim torrado ou tremoço, a gente se entupindo dessas coisas mesmo tendo acabado de jantar; meu pai assistindo seus bang-bangs na televisão da copa, depois de “carinhosamente” expulso da sala, e tendo que a atender aos meus gentis pedidos “paaaaaaai, abaixa o volume, tá atrapalhando a novela”; a Pepita, minha querida cadelinha tomba-lixo, quietinha aos meus pés destruindo o chinelo franciscano do meu pai que ela tinha acabado de roubar dos pés dele…
Era o momento em que ficávamos juntas, sem falar, sem brigar. Somente juntas. Era mágico, era nosso.
Por mais estranho que possa parecer, a última novela que minha mãe consegui assistir inteira foi A Viagem. Ela partiu no meio de Mulheres de Areia. Fui até o último capítulo, com o Tonho da Lua, a Raquel e a Rutinha. Foi dolorido, mas precisava fazer isso, sentia que precisava. E aquele foi o meu último capítulo, a última novela a qual assisti.
Não pretendo voltar a assistir novelas. Talvez um dia, se eu tiver uma filha para começar um novo ciclo. Amigas, continuarei a ser a maior das alienígenas, perguntando descaradamente sobre as próximas Nazarés que aparecerão! Seja no toilete da empresa, durante o almoço, ou em alguma festinha de aniversário!
Ah! Já ia me esquecendo! Agradecimentos especiais à Lu – Eterna Funcionária da Patroa – cuja consultoria foi essencial para que esse post pudesse ser escrito. Afinal de contas, como eu ia lembra SOZINHA o nome da Nazaré e da Senhora do Destino???
Carpe diem! Selma



Pois eh… Tambem lembro de uma epoca, antes da faculdade, onde a rotina era estar em casa todas as noites, jantar com TODOS ao redor da mesa, e depois ver Jornal Nacional, novela das 8:00, e Super-cine (de segunda-feira acho)… Ate teve algumas novelas que acompanhei, talvez as mais legais de epoca ou as mais divertidas, depois foi tudo se diluindo e cada um fazendo sua propria rotina… Bons tempos… Agora eh somente aproveitar as novas fases… Abracos!… ;o)
Gostei muito do seu relato. Você compartilha esses momentos com sua mãe com muita sensibilidade. Eu não gosto muito de novelas (na verdade, vejo muito pouco TV). De vez em quando eu sigo alguma, mas fico com a sensação de perder tempo durante meses até o final da história. Me lembro dessa primeira versão de Mulheres de Areia. Eva Wilma no papel da Raquel e da Ruth. Me lembro até da abertura da novela: uma escultura de rosto de mulher feita de areia e que se desfazia…
Olá! Não conhecia esse seu blog, passei aqui para visitar e gostei! Uma família de bloqueiros, e dos bons!
Voltarei!
“Carpe diem”, pensei tanto nessa expressão hoje que foi arrepiante ler agora.
Besitos, Bianca
Amiga, você é uma grande escritora. Que delícia ler o que vc escreve!
Além de tudo, chorei ao ler isso. Acho que o Psicodrama lhe deu uma leitura de vida maravilhosa.
Se eu pudesse te dizer algo, seria: não espere uma filha para começar um novo ciclo. Carpe diem!
E só pra me abrir também, não sou de acompanhar novelas, mas quando posso adoro perceber nelas um retrato tão fiel da realidade brasileira… Às vezes me cobro que deveria gostar de programas mais “cabeça”. Ao contrário de vc, devo confessar que odeio discovery chanel… Futilidades às vezes faz bem pro corpo e pra alma. Afinal, não tenho que posar de inteletual sempre. Estou me dando este direito. Beijos Cléia
Oi Heldim! Não tem jeito: a gente quebra o ciclo, mas naturalmente volta a ele! Acho que é inevitável…
Bjs! Selma
Oi Carina! Eu muito pouco falei ou escrevi sobre a minha mãe nos últimos 13 anos. Mas sinto que esse foi o começo…
Bjs! Selma
Oi Bianca! Venha sempre me visitar!!!
Li seu relato do Caminho de uma vez, não conseguia parar! Só me animou mais, quem sabe que não faço o Caminho ainda este ano…
E, em um mundo tão cheio de incertezas e surpresas, só nos resta Carpe Diem…
Bjs! Selma
Oi Cléia! Acho que aindã não é o momento de um novo ciclo. Vou esperar o “estalo”!
E, prá falar a verdade, também não curto Discovery Channel, a não ser um programa ou outro. Sou consumidora desenfreada dos “lixálite shows”, assisto todos! The Beauty and The Geek, Top Chef, American Next Top Model, Project Runway, dos mais legais aos mais lixos!
Já faz um tempão que me dou o direito de diversao à base de futilidades…
Bjs! Selma
Emocionante seu texto, sua história. Acho que todo brasileiro tem novelas envolvidas em sua história, e a sua história é linda.
Oi Picida! As estórias, a importância dos momentos vividos estão vindo aos poucos… Acho que comecei algo que não vou mais conseguir parar, graças a Deus!
Bjs! Selma
Oi Selma, obrigada pela visita ao meu blog. Comovente a história da sua mãe e você juntas vendo novelas.
Confesso que sou um pouco noveleira. Não muito, depende do autor. Novelas do Manoel Carlos eu não assisto nem morta! Senhora do Destino eu tb não assisti, mas confesso que sabia quem era a tal da Nazaré de tanto ouvir as pessoas comentando…hehehe…
Tive a sorte de ter minha bisavó comigo até os 20 anos. Ela era uma noveleira assumida, e eu sempre assistia novelas com ela e ficávamos comentando. Ela xingando os personagens malvados e eu achando uma enorme graça por ela ser assim tão passional.
Até hoje quando eu assisto novela eu me lembro dela e fico imaginando o que ela falaria dos “malvados” de hoje…
Beijos e apareça!
a ultima novela que eu vi foi pantanal. minha mae nao ve, nunca viu novela. eh a coisa mais louca, uma total ET. eu vi algumas, ate gostava. mas depois que sai do brasa, nem tenho mais como ver nada. nunca senti falta. eh questao de costume. e como no seu caso, uma relacao de intimidade. beijao,
Acho que a ultima novela que assisti foi Roque Santeiro…deve fazer muito tempo…
Oi Lucy!
Seu comentário sobre a sua bisa me fez lembrar da minha avó e do meu avô vendo televisão: a interação deles com os programas era sensacional, como se eles pudessem ser ouvidos!
Bjs! Selma
Oi Fer!
Pois é: aqui na Coréia o que não falta é novela. Tem uns três canais na TV só com novela, o dia inteiro. Mas é tudo em coreano, não entendo nadinha…
Ah, aí nos Estadus Bunitus tem aquela novela SENSACIONAL! General Hospital…
Bjs! Selma
Djambers, você é velho, hein? Roque Santeiro não é da minha época, não…
Ah, e fala pro meu marido voltar logo da China!
Bjs! Zé
Patroa Linda…
Eu nessa semana passei algumas fortes emoções com uma pessoa muito queria de minha família, que não esta bem, e com aquele acidente horrível da TAM…ai adivinha o que aconteceu quando eu li isso !!?? CHOREIIIIIIIIIIIII!!!
Se eu soubesse disso, nem teria brincado, mas tb imagino que se eu não tivesse brincado, vc não chegasse a essa constatação!!
Saudades!
Ah! Também não tenho visto mais novela…não sei mais o nome de ninguém das novelas!! : )
Lu
Luzinha,
Só tenho a te agradecer por ser o anjinho que me mostrou o caminho!
Bjs no coração! Patroa!
Adorei. Nem lembrava mais dessa novela que voçê falou com a eva wilma, as cenas me voltaram na memória. O julgamento de raquel e o acidente do barco com as gêmeas. Essas eu lembrei.